Sábado, 7 de novembro de 2009. Dia chuvoso em Caxias do Sul, nada de velho ou de novo. Estávamos nós, cucastortas, empolgados com a idéia de nos apresentar para a comunidade da Vila Amélia, mais um bairro pobre em uma cidade rica. O entusiasmo era evidente apesar da chuva castigar os lares sem teto.
Chegamos na escola Nova Esperança no comando da Kombi Verde do nosso querido irmão Jander Bender. Lá já estava o baterista dos cucas, professor Adriano, vulgo Nano, em meio à criançada. As crianças!!! Sim, elas são demais!! Quando chegamos já vieram ao nosso encontro ajudar a carregar nossas coisas, nos chamando de tios (hahaha) e com perguntas do tipo "porque vocês tem barba?" ou "quantas tatuagens tu tem?". Hehehe, perguntas inusitadas que nos fazem pensar se tal ingenuidade reflete num gesto de carência e atenção. Com certeza esse ia ser um dia especial para elas, e para nós mais ainda.
Montamos nossas coisas num palco improvisado embaixo de um telhado de zinco, tudo pronto para tocar, quando entrou em cena a gurizada de um centro educativo da cidade, cantando e dançando. Confesso que me emocionei com o semblante deles, realizados em poderem mostrar sua arte e seu trabalho. Sem dúvida, mais gratificante é ver uma criança feliz do que qualquer sonho de consumo.
Chegou a hora de tocarmos. No primeiro acorde, a criançada começou um berredo ensurdecedor, nos sentimos como os Beatles em sua época pois até o som ficava abafado com a emoção e a gritaria da galerinha. Começamos o baile mirim com a canção "o povo dança", a molecada começa a dançar enlouquecidamente e a chuva veio com tudo nessa hora. Apesar do telhado de zinco, ficamos ensopados de tal forma que foi motivo de boas risadas da nossa parte e da galerinha. Porém não tinha chuva que parasse o som e a alegria da gurizada, tão contagiante e sincera que era.
Lá pela terceira canção, um menino chamado Giba, de 14 anos, extremamente nervoso na ocasião, foi chamado ao palco pra tocar com a gente. Ele tirou uma canção nossa chamada "Quando o sol nascer para todos", e estava disposto a tocar. Todos gritaram seu nome em coro e Giba sobe ao palco, pega a guitarra de Painca e começamos o som. Giba me impressionou pois tocou bem demais, com direito a solo e tudo!!!! Foi a primeira vez dele em um palco, foi muito bom, mesmo. O guri saiu realizado, com um sorriso que não cabia em sua cara.
Mais algumas músicas e finalizamos nossa apresentação, molhados de chuva e de alegria.
Esta pequena crônica tem como maior expoente o prazer que foi tocar para uma comunidade carente, em especial para as crianças. A maioria delas nunca tinha visto uma guitarra, dirá um show ao vivo. A emoção, a gritaria, a cara daquelas crianças nos olhando com olhares brilhantes, isso me tocou profundamente e me fez crer que estamos no caminho certo, que é estar com o povo e ir até ele quando longe, pois é o povo das periferias que tem a maior carência de cultura e lazer, sem contar as carências econômicas e sociais. De forma modesta, cremos estar contribuindo para que mais uma criança possa sorrir.
Agradecemos profundamente a oportunidade, hoje somos mais maduros que ontem e mais cientes de nosso objetivo enquanto músicos e artistas.
Viva as crianças!!!!!
Sami
Viemos através deste manifestar nossa solidariedade a Federação Anarquista Gaúcha em repúdio a invasão e apreensão de materiais e equipamentos de sua sede em Porto Alegre operada pela polícia civil na tarde de quinta-feira, 29 de outubro, e a abertura de processo criminal por injúria, calúnia e difamação a mando da governadora Yeda Crusius e expedido pelo Ministério Público Estadual. Este ato repressivo constitui cerceamento da liberdade de expressão e o direito de reunião resultando em censura política e intento de criminalização desta organização.
Já é notório para o Brasil e também em nível internacional a política de criminalização da pobreza e do protesto que é operada por este governo. Repressão e processos judiciais sobre o Movimento Sem Terra, categorias em greve, dirigentes sindicais e mobilizações populares que fazem oposição e denúncia aos esquemas de corrupção instalados nos altos escalões do governo e das políticas do Banco Mundial que desmontam com os serviços públicos e atacam direitos dos trabalhadores. A pobreza da periferia das grandes cidades também é alvo desta política truculenta.
Com esta carta queremos pesar as justas reivindicações de fim aos processos judiciais e a devolução de todos os bens apreendidos da FAG como a garantia das liberdades democráticas que foram violadas pelo Estado.
Ouvidoria do Estado do Rio Grande do Sul - Brasil
Correio: ouvidoria@gg.rs.gov.br
Fax: (51) 3210.4522
Procuradoria Geral de Justiça - Ministério Público Estadual
Correio: pgj@mp.rs.gov.br
Fax: (51) 32253288
Gabinete do Ministro da Justiça ? Governo Federal
Site: www.mj.gov.br
Fax: (61) 20259556
Mais informações: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2009/10/457506.shtml
Acordar com os pássaros
passará a ama-los intensamente
Tensiona as cordas do vento
que vendo como se canta
se encanta com o próprio tento
A cor que se dá ao passá-los
tem passos brilhantes
como olhares de furtar a cor
Embeba-se um pouco do mundo
muda-se de pouco em pouco
o tanto de tudo que for
Levo meu corpo em meio
ambiente - se no farfalhar das folhas-
trago foias,foias e mais foias,
no meu borso tá cheio delas, chego a intupi as caia
e no meu sapato inté areia tem-
ponho em relevo o resto
e o que resta
queda - se fazendo jeito.
Empresto ,então, à tensão meu gesto
enquanto pássaros passam cantando
pras cordas tensionadas do vento
Pa-inca
Durante o século 18, o Brasil Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso país e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto".
Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que foi apelidado de "O Quinto dos Infernos". A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama".
Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - IBPT, a carga tributária brasileira deverá chegar ao final deste ano de 2009 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos...
Para que? Para sustentar a corrupção, o PAC, o mensalão, o Senado com sua legião de "diretores", a festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jetons, a farra familiar no executivo. Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar esta corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa.
E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente!
Fonte desconhecida
Libertador é a nota tocada com o coração. Palavras nem sempre são capazes de expressar sentimentos na tônica da vida. O que sentimos pode estar expresso em um olhar, num gesto, ou apenas em um silêncio perturbador. Silêncio habitado por seres apaixonados...
Os corações pedem por um transplante, para recordar o valor das coisas simples. No tempo do artifício e da mentira, onde a felicidade é enlatada e a liberdade um produto, os espíritos trancam-se em suas casas com medo de abrir a janela. Porque não cantamos mais serenatas, ou escrevemos cartas perfumadas, ou apenas lançamos um olhar carinhoso para aquele mendigo de pés descalços?
É preciso um coração novo. Aquele que bata com mais força, como a nota tocada por um espírito solitário.
Acredito na arte como elemento libertador. Rompo com minha solidão, que insiste em estar ao meu lado, para sentir a ternura de um coro apaixonado, de um rabisco mal feito, de um sorriso satisfeito.
Só peço um gesto de carinho. Cansado de estar só. Farto de estar farto.
Sempre fui apaixonado pelos apaixonados. Aqueles que hoje convencionou-se chamar de loucos. Mas loucos são aqueles que fazem as guerras, que mancham a terra, que poluem o ar.
Da loucura do poeta renasce a esperança. Esperança de que no fim da estrada exista um feixe de luz, para quando olhar para trás estar certo de que toda loucura não foi em vão.
Sou um louco apaixonado pelas coisas simples, cantor de coplas de amor e sereno nas horas vagas.
Palavras para as pessoas sinceras e que ainda acreditam na vida, vindo de um coração menos solitário que antes.
José Maria Boleadera
O número de mortes subiu para mais de cinqüenta após a violenta repressão policial contra um piquete de nativos amazônicos que bloquearam uma rodovia na selva em protesto contra uma série de leis que implementam o Tratado do Livre Comércio (TLC) com os Estados Unidos e que afetam as suas comunidades.
A reportagem é de Carlos Noriega e publicada pelo Página/12, 07-06-2009. A tradução é do Cepat.
O governo confirmou a morte de 22 policiais, enquanto os indígenas mortos seriam, segundo diferentes versões vindas da região do massacre, mas de trinta, ainda que o governo apenas tenha admitido a existência de nove vítimas civis. Nesse sábado se reconheceu que nove policiais morreram durante a ocupação de uma estação da empresa petrolífera estatal Petro Peru realizada na quinta por um grupo de indígenas.
Outros 22 policiais feito reféns foram liberados e sete permanecem desaparecidos. Os feridos são mais de 150 e os presos chegam a uma centena. O líder dos indígenas, Alberto Pizango, passou para a clandestinidade logo após a emissão de uma ordem de prisão. Especulou-se que teria viajado para Bolívia, mas dirigentes da organização indígena garantiram que Pizango, acusado de rebelição e incitação da violência, permanecia em Lima. Em Bagua, lugar da matança, se adotou um toque de recolher entre as três da tarde e as seis da manhã. As comunidades indígenas denunciaram o governo de Alan García à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Os indígenas amazônicos, que chegam a 350 mil, se levantaram contra o governo faz dois meses exigindo a derrogação de novas leis ditadas pelo governo em março em cumprimento a implementação do TLC com os Estados Unidos. Estas leis facilitam a entrada na Amazonia de transnacionais petroleiras e mineradoras e de empresas dedicadas a produção de biocombustíveis. As comunidades nativas reagiram contra o pacote legal por considerar que afetam os direitos sobre as suas terras e ameaçam o ecossistema da Amazonia, onde vivem.
Os indígenas acusam o governo de ter se decidido por essas leis sem consultas, como exige o Convênio 169 da OIT, que obriga às comunidades nativas serem consultadas antes da definição de uma norma legal que venha afetá-los. Esta omissão transforma as leis em inconstitucionais. O governo admitiu a omissão, mas insiste em manter a vigência das leis, apesar de uma comissão no Congresso e a Defensoria do Povo terem se pronunciado por sua incostitucionalidade. O governo destaca que o não cumprimento dessas normas legais coloca em risco o TLC com os Estados Unidos e decidiu mantê-las a ferro e fogo. A negativa do governo em derrogar as leis tornou impossível o diálogo com os indígenas e o conflito foi crescendo até que se desencadeou o massacre, após o governo ordenar a polícia a repressão aos indígenas.
“Se estas leis se mantém, em curto prazo, as terras amazônicas passarão para mãos das corporações petroleiras, mineradoras, de água, madeireiras, produtoras de bicombustíveis, e a médio prazo, a Amazônia estará destruída e as populações indígenas convertidas em proletárias. A luta contra estas leis, é uma luta pela sobrevivência das comunidades amazônicas e de sua cultura”, disse ao Página/12, Roger Rumrrill, um dos mais importantes pesquisadores da Amazionia peruana.
Página/12, conversou por telefone com Incam Santiac, líder indígena da etnia Awarun, no limite da zona fronteiriça com o Equador, que esteva presente na violenta repressão contra os indígenas na Curva do Diabo. “Nós estávamos dormindo na rodovia, quando a polícia nos atacou. Eram as cinco e meia da manhã. Primeiro, com gás lacrimogêneo e quando viram que não podiam nos tirar dali, começaram a disparar. Dispararam no corpo, para matar. Atiravam de um helicóptero e da mata. Um irmão caiu morto ao meu lado. Muitos caíram com as balas. O ataque durou até as duas da tarde, quando conseguimos regressar a Bagua. O governo mente quando nos acusa de ter atirado contra a polícia. Nós tínhamos apenas lanças e flechas. Os policiais devem ter sidos mortos por fogo cruzado. Até agora não nos deixam recolher os nossos irmãos mortos, que continuam estirados na rodovia. Há mais de cem desaparecidos”, relatou Santiac desde Bagua. O líder indígena anuncia que continuarão em sua luta contra o go verno e as transnacionais que invadem as suas terras.
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